Página Inicial    'Sereia' emerge como o trunfo do EP em que Roberto canta para súditos

'Sereia' emerge como o trunfo do EP em que Roberto canta para súditos
Noticia enviada por Suas Letras

Uma semana antes de completar 76 anos de vida, em 19 de abril, Roberto Carlos apresenta EP
com duas músicas inéditas, o já conhecido dueto com a cantora norte-americana Jennifer
Lopez e um registro ao vivo de Sua estupidez (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969), uma
das muitas obras-primas da fase áurea do cancioneiro do cantor e compositor capixaba.

Das duas reais novidades, Sereia – balada de aura clássica composta por Roberto para
a trilha sonora da recém-estreada novela das 21h da TV Globo, A força do querer, com o
objetivo de ser tema da personagem Ritinha (Isis Valverde) – emerge como o maior
destaque do EP intitulado Roberto Carlos (Sony Music), lançado nas plataformas digitais e
em edição física em CD com capa de embalagem paupérrima, incompatível com o status do
artista.

Formatada em estúdio com base nos teclados de Tutuca Borba, arranjador da gravação
produzida pelo próprio Roberto Carlos, Sereia é balada apaixonada que, mesmo sem primar
por grande originalidade de música e letra, evoca de longe aquelas canções do Roberto
que marcaram época nas décadas de 1960, 1970 e 1980.

A outra música inédita – Vou chegar mais cedo em casa, composta por Roberto com o
parceiro de fé Erasmo Carlos – fica muito aquém do histórico da dupla de
compositores. Pela arquitetura, dá a impressão de ser uma canção mais de Roberto do
que de Erasmo. Com letra impositiva dos desejos sexuais masculinos ("Meu amor, eu quero
tudo / Não vou me contentar com pouco"), típica da geração machista do artista, Vou
chegar mais cedo em casa é balada que jamais roça o erotismo realmente sensual de
canções lançadas pelo Rei nos anos 1970. A proposta já foi feita com mais sedução e
sensibilidade...

Já Chegaste (Kany García) – música já previamente lançada em single no Brasil, em
dezembro de 2016, na versão em português – é canção romântica produzida em escala
industrial, mas com grande apelo popular. Era um hit em potencial que não obteve a
merecida aceitação e repercussão por conta da rejeição do público brasileiro ao
sotaque de Jennifer Lopez, artista de ascendência porto-riquenha que, embora domine
somente o inglês e o espanhol, cantou a parte que lhe cabe na letra em aceitável
português.

Com quatro músicas, o EP Roberto Carlos inclui também o registro ao vivo de Sua
estupidez, captado no especial natalino do cantor, exibido pela TV Globo em dezembro de
2016. Ainda que pontuado por interjeições do público convidado do especial, o canto
irretocável de Sua estupidez reitera a afinação exemplar de Roberto Carlos.

Embora a produção autoral do artista venha se tornando cada vez mais espaçada, o Rei
ainda exerce poder junto ao público feminino brasileiro, como comprovam os shows sempre
lotados do cantor e essa gravação de Sua estupidez. Para esse público, o EP Roberto
Carlos conserva inalterada a realeza do artista nos últimos 50 anos. E é para esse
público súdito que Roberto Carlos canta e grava discos com coerência estratégica ao
longo de todos esses anos.


Fonte: G1